FATO COTIDIANO

Dia 3/03/2011, precisei fazer trabalho externo pela minha firma. Ao pegar um taxi me deparei com uma “figurinha” carimbada de nosso cotidiano paulistano.
Estava ali sentado com um ar sofrido de sua vivencia aos 49 anos. Um motorista que veio do nordeste brasileiro, mas muito simpático para com as pessoas. Não me recordo o seu nome, a conversa foi tão boa que acho que o nome já não interessava mais, a única coisa que me pude dar conta é de quanto nosso país é repleto de pessoas boas e de bom coração. Eu sou uma pessoa muito curiosa e logo fui perguntando sobre o que ele achava de sua profissão. Não soube explicar no momento, mas me veio com sua história de vida. Não entendi muito bem, depois que me deparei e pensei que aqueles fatos todos reunidos me responderia o que eu realmente queria saber.
“Comecei a trabalhar com 10 anos de idade, já fui agricultor, servente de pedreiro e motorista particular...”.

senhor inteligente, sabia conversar de tudo que era tipo de assunto e, além disso, a cada momento ao teu lado um aprendizado novo.  Sei que os taxistas tem uma leve coincidência com os psicólogos, sabem ouvir as pessoas e compreende-las. Naquele dia acho que aquele senhor soube o que é ser escutado por alguém.  Não sei o que aquele motorista viu em minha pessoa, só sei que seus olhos não mentiam ao relatar fatos que talvez apenas eu soubesse naquele momento. Fico feliz por pessoas confiarem em mim, enfim, não vou detalhar muito, pois escreveria um livro sobre a vida do taxista.  O que posso apenas atingir um ponto alto nesse relato foi os dizeres em nome de tua família. Ali tive a certeza de seu caráter como ser humano, pois sua família vinha em 1° lugar em tudo, filhos, mulher, sobrinhos, cunhados...  Tudo me veio à tona de quanto nós filhos somos importantíssimos para nossos pais, o quanto uma família sofre sem uma figura do patriarca, o quanto uma mulher é feliz por ter alguém que de razão e apoie nos momento independente da situação.
Agora no fim de minha “corrida” me veio a resposta.  Com os olhos cheios de lagrimas e sem vergonha nenhuma de deixar uma lagrima correr sobre seu rosto me foi dito. “Amo minha profissão, adoro dirigir, conversar com pessoas e guiar é minha vida. Aqui é meu ganha pão, as ruas de São Paulo é minha razão de vida, Pois sem meu carro não teria momentos assim como este”.
Ali ficou eu parado apenas esperando meu boleto ser preenchido. Ao me levantar e abrir a porta do lado do passageiro ainda me foi dito. “Essa foi a melhor corrida que um taxista poderia ter.”
Bem nem posso dizer o quanto fiquei feliz. Meu dia que teria tudo para ser estressante, terminou na paz e com uma alegria imensa no peito de pensar que nosso país é um país de pessoas humildes, batalhadoras e de bom coração. Diferente do que estamos acostumados a ouvir nos jornais.

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